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O excesso de peso dificulta a gravidez?


É muito difundida entre as mulheres, hoje, a necessidade de controlar o peso antes e durante a gravidez, para preservar a sua saúde e a do bebê. Uma revisão de diversos estudos já feitos sobre o tema, publicada recentemente no jornal  americano Nursing for Women's Health, mostra que os bebês de mulheres que engravidaram obesas correm mais risco de sofrer malformações, assim como de se tornarem obesos na vida adulta também. Além disso, estas gestantes teriam mais chances de apresentar diabetes gestacional, hipertensão, pré-eclâmpsia e hemorragia no pós-parto.
“O excesso de peso também potencializa alguns desconfortos comuns na gravidez, como dificuldades para respirar e andar. Isso porque há um maior esforço cardiovascular para suportar os quilos a mais. O peso do abdômen também causa dores nas costas e nas pernas, aumentando a sensação de cansaço”, afirma o ginecologista e obstetra, Aléssio Calil Mathias, diretor da Clínica Genesis.
A média do peso dos bebês de mulheres obesas é maior do que o normal, o que pode aumentar as complicações obstétricas durante o parto e, em conseqüência, a possibilidade de ocorrer uma cesárea. A obesidade também aumenta o risco de morte materna. Gestantes com excesso de peso têm maior probabilidade de dar à luz a bebês com peso acima da média.
Dificuldades para engravidar
O peso acima do ideal interfere também no ciclo hormonal da mulher e é um fator prejudicial à fertilidade. “Se uma mulher tem gordura corporal em excesso, seu corpo também produz uma maior quantidade de estrógeno e começa a reagir como se estivesse controlando a reprodução, limitando as chances de gravidez”, diz o ginecologista.
Muitas mulheres enfrentam dificuldades para engravidar relacionadas aos problemas desencadeados pela obesidade, como o diabetes e a Síndrome dos Ovários Policísticos, que é outro exemplo de disfunção hormonal. A mulher que apresenta ovários policísticos produz uma quantidade maior de hormônios masculinos, os andrógenos. O principal problema que este desequilíbrio hormonal provoca está relacionado com a ovulação. “A testosterona produzida pela mulher interfere nesse mecanismo e, ao mesmo tempo, aumenta a possibilidade da incidência de cistos, porque eles resultam de um defeito na ação dos hormônios do ovário, impedindo a ovulação”, explica Aléssio.
A recomendação geral para uma paciente obesa que deseja engravidar  é a de que  ela precisa primeiro tentar emagrecer. “Às vezes, somente através da perda de peso, as dificuldades para engravidar podem ser revertidas, porque a obesidade gera uma resistência do organismo à insulina e essa resistência produz o aumento da produção de andrógenos, os hormônios masculinos”, explica a endocrinologista Silvia Mizue.
O outro lado da moeda
Mulheres magras demais também podem apresentar dificuldades para engravidar. À medida em que emagrecem, diminui a quantidade de gordura em seu organismo. Um índice de gordura corporal menor do que 17 inibe a produção de estrógeno e de outros hormônios, o que impede a formação e a liberação de óvulos. “O peso muito baixo geralmente também está associado a outros problemas que podem afetar a fertilidade, como o hipertireoidismo. Além disso, o endométrio, membrana que reveste o útero, fica menos propenso à gravidez”,